Terça-feira, Abril 11, 2006

 

Trabalho 0 - Curso 1

Na passada semana foi divulgado que, cerca de 1 em cada 4 desempregados portugueses que frequentaram acções de formação profissional conseguem obter um emprego, de acordo com um estudo feito pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.
A óptica de considerar se os números são ou não positivos, não a vou comentar.

Gostaria no entanto de deixar aqui uma reflexão:
Na corrida desenfreada de aproveitar ao máximo os subsídios de Bruxelas nesta área, o País foi inundado de cursos que para nada servem senão para manter ocupados uns milhares de Portugueses e para alimentar as estatísticas. Talvez formar profissionais de cursos. Vão a todos na esperança de conseguir mais uma qualificação, um bónus na corrida aos empregos. Mas continuam a ser miragens daquilo que são as verdadeiras qualificações para o mercado de trabalho.

Esses cursos ainda permitem outra coisa, canalizar mundos e fundos para sindicatos e empresas pouco credíveis que pouco ou nada acrescentaram em termos de novas competências aos seus formandos (ver casos pouco esclarecidos relativamente ao Fundo Social Europeu).

O lado positivo da coisa é que provavelmente esta gente, especialmente jovens licenciados em áreas com poucas saídas profissionais, estão ocupados, alguns destes cursos são financiados e portanto ainda recebem uns trocos, mas nada mais trás de valor acrescentado.

Passo a partilhar um episódio caricato que julgo que espelha um pouco desta realidade portuguesa...quase tão característica como o cozido!
Um licenciado (não me lembro em que curso) e que se encontrava desempregado, dirigiu-se a mim na tentativa de lhe arranjar um emprego/oportunidade, no local onde trabalho.
Não quis ser desagradável com o rapaz, tentando fazer-lhe ver que empregos não se “arranjam”, mas lá fui dando conversa no sentido de lhe mostrar como funcionava este mercado de trabalho tão específico. A certa altura perguntei-lhe:
- Então mas o que é que sabes fazer?
- Tenho um curso de não-sei-o-quê.
- Sim, mas o que é que sabes fazer?
- Tenho um curso...e tirei uma formação em informática..
- Pois, mas com isso tudo, o que é que achas que sabes fazer?

No final desta pergunta o rapaz percebeu onde eu queria chegar. A conversa ficou por ali e passado uns tempos voltei a encontrá-lo, muito feliz com a sua nova profissão: ajudava o pai com a gestão do escritório da empresa, como fazia enquanto estudante nas férias. Algo que sabia verdadeiramente fazer.
Falta muitas vezes mão-de-obra qualificada mas sobram cursos e formações que não trazem qualquer valor acrescentado nem à sociedade nem ao próprio indivíduo.
Isto tudo para levar a conversa ainda a outro tema: a falta de valores de responsabilidade.
O actual Governo criou, e bem, o Programa para a integração de jovens licenciados, sendo os destinatários jovens entre os 18 e 30 anos, colocando à sua disposição um estágio profissional, com uma remuneração fixa de 750 euros, durante os 12 meses de estágio.
Mas, espanto dos espantos, têm havido excesso de faltas nas entrevistas marcadas pela administração pública, para o preenchimento de mais de 3 mil vagas!!
O ordenado de 750 euros não tem “motivado” esses jovens!
Com as alterações às regras de atribuição ao subsídio de desemprego talvez se comecem a inverter estas situações, porque de facto não se compreende que estes jovens prefiram continuar (e desculpem-me a expressão) à mama, dos pais, dos subsídios, etc, do que lutar pelo seu próprio caminho e assumir as suas responsabilidades enquanto adultos (porque já o são).
Mesmo que isso implique começar de outra ponta do leque, fazer algo completamente diferente, mas lutando sempre pela persecução dos seus gostos e objectivos.
Lá diz o velho ditado: está mau para quem quer trabalho, especialmente para quem quer um emprego!

Comments:
Hoje estás muito agressivo! No que diz respeito aos temas que abordaste queria apenas deixar a minha experiência. Entre 1992 e 1996 trabalhei numa empresa de formação profissional (não, não era sindicato, e era certamente credível pois o presidente do Conselho de Administração era um ilustre deputado do PSD). Agora, uma coisa é certa, as áreas de formação incidiam sobre Marketing; Finanças e Gestão sendo os responsáveis programáticos dos cursos reconhecidos professores catedráticos. De qualquer forma, concordo que os primeiros anos do FSE deram muito dinheiro ao desbarato. Nós tínhamos cursos financiados e cursos não financiados e o facto é que muitas pessoas quando se dirigiam a mim não se preocupavam com o conteúdo dos cursos mas sim com “existe bolsa?” ou “quanto é que eu ganho?”. Claro que se fizeram muitas coisas que não vou enumerar. Posso inclusive dizer que as bolsas de formação eram pagas de acordo com assinatura em folha de presença e que por vezes estava apenas uma pessoa na sala mas a folha vinha toda assinada. Mais tarde, e bem, acabaram com as bolsas de formação e procurou-se obter o interesse das pessoas para os conteúdos dos cursos para as respectivas áreas profissionais. Mais tarde, já noutra profissão, acompanhei diversas empresas do sector e posso dizer-te que os níveis de exigência do FSE são cada vez mais elevados pelo que o facilitismo inicial deixou de existir. Já agora, o que entendes por “verdadeiras qualificações para o mercado de trabalho”? Dou-te um exemplo, para o Euro 2004 foi dada formação co-financiada à PSP em Inglês. Parece-te bem?
Sobre o teu episódio com o licenciado, na minha opinião, o problema está directamente relacionado com as constantes alterações nas politicas de educação deste país. Ao contrário de países como a Irlanda, não temos conseguido apostar no ensino como factor fundamental de desenvolvimento e alteração da mentalidade portuguesa. Porque a ausência de valores não é exclusiva dos jovens e, sejamos honestos, a culpa nem sequer é deles. Numa escola aqui em Lisboa, um aluno foi apanhado a roubar uma revista. O pai é chamado à Escola e quando é confrontado com a situação afirma irritado: “Chamaram-me por causa de uma revista de 2 euros?”. Pois, assim é complicado!
Abraço,
Pedro Lopes
 
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Anexos

 

Anexos

 

A1.

 

Resultados no Concelho de Ourém

 Incritos: 37811

Votantes: 23341 (61.73%)

Abstenção: 38.27%

 Câmara Municipal de Ourém 

Brancos: 836 (3.58%)

Nulos: 546 (2.34%)

2005

Votos

%

Mandatos

PPD/PSD  

  11599

  49,69

  4

PS  

  7838

  33,58

  3

CDS-PP  

  1858

 7,96

 

PCP-PEV  

664

  2,84

 

 Assembleia Municipal

Brancos: 858 (3.68%)

Nulos: 556 (2.38%)

2005

Votos

%

Mandatos

PPD/PSD  

  11632

  49,84

  12

PS  

  7025

  30,10

  7

CDS-PP  

  1932

  8,28

  1

PCP-PEV  

  1338

  5,73

  1

Assembleias de Freguesia

Brancos: 749 (3.21%)

Nulos: 571 (2.45%)

2005

Freg.Concorreu

Votos

%

Mandatos

Presid.

PPD/PSD

18

12505

53,58

101

15

PS

18

7129

30,54

54

3

CDS-PP

11

1856

7,95

7

 

PCP-PEV

9

531

2,27

 

 

 

Resultados na Freguesia de Fátima

 Incritos: 7585

Votantes: 4840 (63.81%)

Abstenção: 36.19%

 Assembleia de Junta de Freguesia

Brancos: 175 (3.62%)

Nulos: 148 (3.06%)

2005

Votos

%

Mandatos

PPD/PSD

2459

50,81

8

PS

1414

29,21

4

CDS-PP

570

11,78

1

PCP-PEV

74

1,53

 

Câmara Municipal

Brancos: 205 (4.24%)

Nulos: 166 (3.43%)

2005

Votos

%

PPD/PSD  

  2359

 48,74

PS  

  1551

  32,05

CDS-PP  

 469

  9,69

PCP-PEV  

 90

  1,86

Assembleia Municipal

Brancos: 212 (4.38%)

Nulos: 161 (3.33%)

2005

Votos

%

PPD/PSD  

  2428

  50,17

PS  

  1368

  28,26

CDS-PP  

  532

  10,99

PCP-PEV  

  139

  2,87

Fonte: STAPE/ITIJ

 

A2.

 

Abstenção

Dados do STAPE

Abstenção (%)

Autárquicas

Portugal

Ourém

Fátima

2005

39.0

38.3

36.2

2001

39.9

34.7

34.2

1997

39.9

37.5

36.7

1993

36.6

38.1

35.2

1989

39.1

37.9

37.0

1985

36.1

37.4

36.0

1982

28.6

36.6

30.3

1979

26.2

28.9

22.1

1976

35.5

40.4

33.0

Fonte: Stape

 

 

 

 

Abstenção (%)

Legislativas

Portugal

Ourém

Fátima

2005

35.0

33.8

29.8

2002

37.7

33.3

29.2

1999

38.2

35.8

31.4

1995

32.9

32.9

28.5

1991

31.8

30.2

26.7

1987

27.4

24.1

20.9

1985

24.6

25.6

20.9

1983

21.4

23.7

18.6

1980

14.6

16.1

12.5

1979

12.5

12.4

8.1

1976

16.7

19.6

15.0

1975

8.3

11.8

7.6

Fonte: Stape

 

 

 

 

Abstenção (%)

Europeias

Portugal

Ourém

Fátima

2004

61.2

61.3

56.2

1999

59.7

57.3

53.7

1994

64.4

64.7

60.6

1989

48.7

48.4

41.9

1987

27.4

24.1

20.9

Fonte: Stape

 

 

 

 

Abstenção (%)

Presidenciais

Portugal

Ourém

Fátima

2001

49.1

44.4

40.2

1996

33.6

31.6

28.1

1991

38.0

38.3

35.9

1986-2º suf.

21.8

21.0

15.5

1986-1º suf.

24.3

23.7

19.5

1980

15.8

18.4

12.7

1976

24.6

22.8

19.1

Fonte: Stape